Em agosto, os preços do açúcar experimentaram um aumento notável de 21,5%, o maior ganho mensal desde outubro de 2010.
Esse aumento é atribuído a vários fatores, incluindo expectativas de menores rendimentos de beterraba açucareira na União Europeia devido a uma onda de calor no verão, preocupações sobre o impacto do El Niño na produção em grandes países asiáticos e a redução da produção de açúcar no Brasil.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação destacou essas questões, observando que a alta do açúcar reflete uma mudança nas expectativas globais de oferta. Por exemplo, a Comissão Europeia projetou uma queda de 19% na produção de açúcar da UE para o ano comercial de 2026/27.
Analistas do Citi e da Green Pool Commodity Specialists preveem déficits globais significativos de açúcar, com o Citi classificando o açúcar como um mercado 'de alta convicção' entre as commodities agrícolas.
Os efeitos antecipados do El Niño, que podem levar a padrões climáticos extremos afetando os rendimentos no Brasil, na Índia e na Tailândia—países que representam cerca de 70% das exportações globais de açúcar—também são uma grande preocupação.
Além disso, o aumento dos preços da energia está incentivando as usinas brasileiras a produzir mais etanol a partir da cana-de-açúcar, restringindo ainda mais a oferta de açúcar.
A recente autorização da Índia para importações de açúcar bruto sem tarifas, a primeira desde a temporada de 2017-2018, deve aumentar a disponibilidade interna em meio à produção mais baixa e ao aumento dos preços, potencialmente limitando as exportações de açúcar para outros países.
No geral, esses desenvolvimentos indicam um equilíbrio precário no mercado de açúcar, com riscos relacionados ao clima e dinâmicas de produção em mudança provavelmente mantendo os preços elevados.